05/05/2010 - Várzea Alegre -
Jesualdo Fonseca, 53 anos, dirigente do Instituto Missionário da Divina Providência, prometeu e cumpriu. O frei, que não é frei, foi à reunião da Câmara de Vereadores, desta quarta-feira, acompanhado por assessores, onde passou por uma verdadeira sabatina. O foco da discussão: a pessoa do "frei" Jesualdo Fonseca, o Instituto Missionário da Divina Providência e a reabertura do Hospital Santa Maria.
Os principais interessados nas explicações, estiveram presentes: Padre José Mota Mendes - como representante da Igreja; o empresário Raimundo de Sousa Carvalho, além do advogado, Dr. João Siebra, que são os representantes da Afamva – entidade mantenedora do Hospital Santa Maria.
Também compareceram, a contive da Câmara, representantes de outras várias entidades. O plenário José Caetano ficou lotado por populares, tamanha a curiosidade sobre os assuntos debatidos. O presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Luciano e Silva (PMDB), abriu a sessão pedindo que, Jesualdo Fonseca, fosse respeitado, uma vez que ali estava, sobretudo, como convidado. O primeiro a usar da palavra foi Jesualdo Fonseca, que começou afirmando que sempre foi ligado ao Instituto Missionário da Divina Providência, porém, deixando claro que não é frei.
Sobre a identidade religiosa de Jesualdo Fonseca, o padre José Mota Mendes disse ter pesquisado sobre a sua vida, depois que pessoas da comunidade, passaram a questionar a ausência e o distanciamento do “frei” em relação à igreja, mesmo sendo tratado como tal. E a curiosidade aumentou quando Jesualdo não se apresentou à igreja, como manda o costume dos religiosos. Padre Mota fez uma cronologia da busca por informações sobre Jesualdo Fonseca e o Instituto Missionário da Divina Providência, descobrindo que não existia nenhuma ligação de Jesualdo com a igreja, e que esta, também não reconhecia o Instituto da Divina Providência, como sendo religioso.
Padre Mota acrescentou que nunca se posicionou contra o Hospital Santa Maria, e que o seu objetivo, nesta polêmica, foi provar que Jesualdo Fonseca não era frei, saindo em defesa da igreja.
Outro ponto polêmico, enfatizado pelo presidente da Câmara, Luiz Luciano, como conflitante, refere-se ao estatuto da entidade dirigida por Jesualdo Fonseca, que trata da formação de sua diretoria. O documento diz que a direção do instituto, deveria ser composta por frades e irmãs, mas não é. Jesualdo esclareceu que o instituto foi fundado no dia 16/08/1992, com o envolvimento da igreja católica, portanto, com fins religiosos, mas que, os padres e as irmãs, envolvidos no processo, foram se retirando, o que o forçou a assumir a organização, começando, então, um trabalho social. Jesualdo Fonseca também apresentou as modificações feitas no estatuto, consideradas necessárias, justificando a formação da atual diretoria, sem a presença de religiosos. Sobre a origem dos recursos para o funcionamento do Santa Maria, Jesualdo Fonseca, disse que estes, virão de organizações não governamentais, sediadas na Alemanha e na Itália, que já patrocinam outras ações do instituto. Em relação à apresentação de um plano de trabalho, Jesualdo afirmou que o projeto está em fase de elaboração, por técnicos do Hospital São Vicente de Barbalha, e que quando o documento estiver pronto será apresentado.
Enquanto isso, o advogado João Siebra, da Afamva, relatou que há mais de dois anos, manifestava o desejo de ver reaberto o Santa Maria, e vinha trabalhando, portanto, para este fim, quando encontrou apoio no Instituto Missionário da Divina Providência, na pessoa de Jesualdo Fonseca. João Siebra, no entanto, surpreendeu, ao afirmar que não faria mais parte do projeto de reabertura da unidade hospitalar, porque, segundo o advogado, Jesualdo Fonseca não estava cumprindo com o combinado entre as partes - Instituto e Afamva - quando omitia informações solicitadas. João Siebra também afirmou que, ninguém mais do que ele, deseja que o hospital Santa Maria seja reaberto, e que nem por isso, irá atrapalhar os trabalhos para que isso ocorra. “Faço minhas as palavras de todos aqui, ninguém mais do que eu gostaria que o hospital fosse reaberto, não atrapalharei em nada, simplesmente não vou ficar ao lado de um projeto, que não se sabe de onde virão os recursos para sustentá-lo. Eu convivi 70 dias com Jesualdo, e peço que ele, não transforme o “grupo do bem” no “grupo do mal” - disse. E ainda questionou: “Se o senhor nunca foi frei, por que assinou documentos como se fosse?”
Raimundo de Sousa Carvalho, presidente da Afamva, relatou a forma como fez os primeiros contatos com Jesualdo Fonseca, havendo, segundo ele, pesquisado sobre o Instituto Missionário da Divina Providência, afirmando que este de fato existia, quando foram iniciados os preparativos para a assinatura do contrato. “Começamos emprestando tudo o que podíamos para que pudesse dar certo, quer seja prestígio político ou outros meios, só que, Jesualdo cobrava a documentação do hospital a Lolanda, mas eu, desconfiado, passei a segurar a documentação, até chegar o dia em que esclareci que não colocaria meu nome em nada que eu não entendesse” – disse.
Raimundo de Sousa Carvalho também abriu mão do projeto, alegando os mesmos motivos do advogado João Siebra, ressaltando que as coisas estavam sendo feitas por Jesualdo Fonseca, sem que fosse consultado. “Quero deixar claro o que João Siebra já disse, que ele não vai participar, e que eu também não vou. E digo mais, Jesualdo não merece a minha confiança. Pedi reuniões que não aconteceram, continuo como presidente da associação, o contrato está feito, mas agora é preciso entender que, nós, da associação filantrópica, que construímos e batalhamos até agora, não estamos satisfeitos” – declarou.
Tiradas as dúvidas já existentes, outras foram colocadas, mas o fato, é que existe um contrato celebrado entre a Afamva e o Instituto Missionário da Divina Providência, com duração prevista de cinco anos.
Jesualdo Fonseca, quando indagado sobre se o hospital Santa Maria seria reaberto, mesmo depois de todo esse imbróglio, confirmou que sim, pelo menos se depender do instituto. Agora, diante de tamanha discussão, não se sabe o que vai acontecer.
O fato é que, nos últimos dias, Várzea Alegre inteira se debruçou sobre um tema que envolve saúde pública, trabalho social e política. De todo o debate ocorrido até aqui, constatou-se uma reviravolta em torno de decisões tomadas pelas pessoas envolvidas no projeto de reabertura do Hospital Santa Maria. De um lado, os que eram a favor e contavam com a ajuda do frei, que não é frei, praticamente abandonando o projeto. E os que eram contra, e que, pelo menos na teoria, demonstraram no discurso, total apoio à causa do hospital. A sociedade vai esperar para ver no que dará tamanha discussão.
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